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Qual a idade certa para ir ao Dentista?

Mitos e dúvidas comuns relativas à Medicina Dentária

Quando deve ser feita a primeira visita da criança ao médico dentista é uma dúvida que muitos pais colocam. Esta consulta pode e deve ser realizada a partir dos 2 anos de idade, uma vez que não é avaliada apenas a presença de cáries nos dentes decíduos (de leite), mas também é feita a despistagem de problemas oclusais (a forma como a criança morde), esqueléticos (que dizem respeito à formação e posição óssea), presença ou não de freios atípicos, etc. Muitas das vezes, este tipo de problemas estão ligados a outros, como é o caso de problemas respiratórios.

A cárie dentária mais frequente nesta dentição ocorre nos espaços interdentários, daí a importância da instrução e motivação, aos pais e à criança, de higiene oral. Assim, esclarecem-se também várias dúvidas que possam existir, seja em termos de pastas dentífricas adequadas, quantidades de flúor, métodos de escovagem e utilização de fio dentário. Destaca-se ainda a enorme importância da ambientação da criança ao gabinete dentário e ao médico dentista que a irá seguir nos anos vindouros. Infelizmente, observamos muitas crianças que vão pela primeira vez à consulta aos 7 anos, altura em que recebem o primeiro cheque dentista pertencente ao Plano Nacional de Saúde Oral. Esta altura é bastante tardia, uma vez que os problemas já mencionados anteriormente podem e devem ser referenciados o quanto antes, especialmente quando estão ligados a outras áreas como a terapia da fala, ortodontia, otorringolaringologia, etc. É portanto essencial que esta avaliação seja sempre realizada por um médico dentista. Com esta interligação entre especialidades, criou-se na Casa de Saúde São Mateus um protocolo entre a medicina dentária e a pediatria, para que todas as crianças a partir dos 5 anos que forem consultadas na pediatria, tenham acesso à consulta de medicina dentária para uma avaliação da cavidade oral. Assim, a relação entre o dentista e a criança começa a ser formada desde cedo, criando assim uma maior confiança e bem estar no consultório e é fomentada a prevenção ao invés da intervenção.

Ainda referente ao tópico dos cheques dentista, o primeiro é dado então por volta dos 7 anos e importa salientar que o seu desperdício inviabiliza muitas vezes a recepção de cheques futuros. Com ele, o utente terá direito a vários tratamentos gratuitos, idealmente de prevenção da cárie dentária através da colocação de selantes de fissura.

Na consulta, podemos esclarecer várias outras questões, nomeadamente no que diz respeito à erupção dentária (o aparecimento dos dentes na boca) e no que é considerado “normal” em termos de timings. No geral, a erupção dentária deve ser enquadrada em intervalos de tempo amplos, que são apenas uma estimativa do que será esperado. Isto porque, em teoria, tudo o que está fora do dito intervalo, precisaria de investigação complementar. No entanto, mesmo estando a erupção dentária dentro do padrão normal, não impede um exame clínico e possivelmente radiográfico, bem como orientação profissional. Por exemplo, a maioria das tabelas de erupção do primeiro dente ocorreria entre os 6 e os 9 meses. No entanto, a evidência científica considera normal um intervalo entre os 4 e os 14 meses de idade e término entre os 16 e os 36 meses, uma vez que as crianças são todas diferentes e têm diferentes ritmos de crescimento.

Quando se dá a exfoliação dos dentes de leite (altura em que começam a cair) e há erupção de dentes definitivos, consideramos que a criança está na fase da dentição mista. Altura ideal para reavaliação de más oclusões e da intervenção parte do ortodontista, quando necessário.

Nesta altura (especialmente entre os 6 e os 12 anos) começa também a aumentar a percentagem de traumatismos dentários, predominantemente em rapazes então em idade escolar, como consequência de quedas, brigas ou acidentes desportivos. Ocorre principalmente nos incisivos centrais superiores.

Neste caso, podem acontecer dois problemas principais: o dente partir ou o dente cair. Poderá também ser o caso de apenas os tecidos moles terem sido afetados (gengiva e lábio).

No caso do traumatismo se dar num dente de leite, a sua importância é a mesma uma vez que poderá afetar o dente permanente, que nessa fase se encontra imediatamente por cima dele. Nesta situação, será essencial por exemplo a avaliação radiográfica da área.

Se houver um fragmento (ou um dente inteiro, no caso de ser definitivo), o ideal será sempre procurá-lo de forma a poder levá-lo ao médico dentista o mais rapidamente possível, para o caso de ser viável o seu aproveitamento e recolocação. Nunca deverá tocar na área da raiz e deve tentar manuseá-lo sempre pela coroa. Quando é encontrado, deverá ser lavado (não esfregado) e colocado num recipiente com soro fisiológico, saliva ou leite. Também poderá ser levado entre a bochecha e a gengiva, mas em crianças pequenas está desaconselhado, já que o podem aspirar. Se houver laceração do lábio ou da gengiva, deverá ser logo iniciada a colocação de gelo, para prevenir edemas e sangramento no local, que poderão dificultar a consulta de medicina dentária. O sucesso do tratamento está diretamente relacionado com a rapidez e eficiência em que a criança é levada à mesma. O seu médico dentista irá, mediante o tipo de lesão, aconselhá-lo dos cuidados a ter após o sucedido.

É portanto de máxima importância procurar imediatamente um médico dentista para que, a longo prazo, se evitem problemas como infeções, reabsorção óssea ou perda do dente envolvido.

Existe o mito que traumatismos ou cáries na infância não têm relevância, uma vez que estes vão cair dar lugar a dentes novos, definitivos. No entanto, as cáries em dentes de leite podem influenciar a formação dos outros ao ponto de eles nascerem com algum tipo de comprometimento na sua estrutura, especialmente quando estão presentes infeções e abcessos. Além disso, a presença prolongada de um dente decíduo quando o definitivo se encontra em erupção, pode também afetar permanentemente a sua posição na arcada dentária. Os dentes de leite servem como guia para a erupção dos permanentes, no entanto não devem obstruir o seu caminho.

Desmistificamos também a ideia de que só deve ser procurado um médico dentista quando se deteta alguma anomalia na boca da criança. Como já referimos, a ausência de dor não significa que haja ausência de problemas dentários. Algumas cáries em estados iniciais, não apresentam sintomatologia. No entanto, é muito mais fácil para a criança e para o médico dentista realizar o seu tratamento neste período, uma vez que é indolor, muito mais rápido e menos invasivo.

Assim, voltamos a frisar a importância das consultas regulares no médico dentista,  a pessoa ideal para abordar estes e outros temas e esclarecer qualquer dúvida que possa ter nesta área, referente a si ou ao seu filho.

Dra. Iolanda Duque, Médica Dentista

Medicina Dentária, CSSMH