Dia Mundial da Luta Contra o Cancro

O cancro é uma doença cuja incidência tem vindo a aumentar ao longo do tempo. Segundo o Registo Oncológico Nacional (RON), em 2020, o número de novos casos de tumores foi de 52 723, a que correspondeu uma taxa de incidência de cancro de 507,2/100 000 pessoas-ano. Por localização do tumor, os três tumores mais frequentes foram a mama (7 504 casos), a próstata (5 776 casos) e o pulmão (4 737 casos).

Os tumores são claramente uma doença do envelhecimento, atingindo as mais altas taxas de incidência entre os 60 e os 84 anos, sendo uma entidade rara antes dos 30 anos.

Também em 2020, o cancro foi a 2.ª causa de morte em Portugal, com registo de 28 323 óbitos.

Vários fatores de risco podem estar associados ao cancro, mas, em geral, a promoção de estilos de vida saudáveis é crucial para a prevenção da incidência de cancro, ao mesmo tempo que, melhora a qualidade de vida e previne outras patologias. As atitudes que compreendem um estilo de vida saudável podem abranger medidas de promoção de saúde, como praticar uma alimentação equilibrada, atividade física e ter um peso controlado, ou medidas de evicção de determinados fatores de risco, como tabaco e álcool.

Os governantes de cada país também devem ter um papel assaz importante na prevenção primordial da doença oncológica, tomando medidas de cariz global como reduzir a quantidade de sal nos alimentos, impedir a venda de doces/salgados nas escolas, aumentar os impostos sobre a venda do tabaco, proibir fumar em locais públicos, entre outros.

O rastreio mantém-se um ponto fulcral na deteção precoce do cancro, estando em Portugal implementado o rastreio do cancro da mama através da mamografia, do cancro colorretal através da pesquisa de sangue oculto nas fezes/colonoscopia e do cancro do colo do útero através da citologia cervico-vaginal.

O diagnóstico da doença oncológica em estádios iniciais através da literacia na população, com a divulgação dos principais sinais e sintomas da doença e o desenvolvimento de tratamentos inovadores deve ser também outro foco na abordagem, de forma a melhorar a sobrevivência dos doentes oncológicos.

Drª Ana Faria – Oncologista

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